Igreja de Nossa Srª do Outeiro – Albergaria dos Fusos

Fora da aldeia de Albergaria dos Fusos, junto à estrada que liga Albergaria a Vila Ruiva, encontra-se a Igreja de N.ª Sr.ª da Visitação, ou do Outeiro. Fica situada sobre um outeiro, donde lhe vem o nome pelo que é conhecida. Foi construída no séc. XVI, e o alpendre no séc. XVIII, tendo o cemitério medieval mesmo junto à igreja. Em 1747 veneravam-se no altar desta igreja, para além da padroeira, ainda Nossa Senhora do Rosário, São Pedro, Santo António e São Brás. Em 1758, estavam sediadas nesta igreja três Irmandades: a de Nossa Senhora do Rosário e ainda a de Nossa Senhora do Outeiro e a das Almas. Com fundamento em notícias enviadas a inquéritos realizados em 1721 e 1732 consta que era grande a afluência de peregrinos que acorriam à igreja de Nossa Senhora do Outeiro em todas as primeiras sextas-feiras de março. Segundo a tradição oral antiga, dizia-se que numa dessas sextas-feiras de março a imagem de Nossa Senhora do Outeiro chorara e suara tanto que se tinham ensopado vários lenços. Contava-se igualmente que o azeite da sua lâmpada nunca diminuía e, pelo contrário, aumentava mesmo.

igreja senhora do outeiro XVI

A Igreja de Nossa Senhora do Outeiro Albergaria dos Fusos

A Igreja da Nossa Senhora do Outeiro é o único templo do século XX do concelho, uma conceção perfeita do novo com o antigo. Localiza-se no interior de Albergaria dos Fusos, num largo com casario de traça tradicional a envolver, lugar alto e dominante. O Templo tem traça arquitetónica modernista e inovadora. O Projecto dos arquitectos Victor Figueiredo e Jorge Filipe Pinto de 1990-1991. De formas geométricas simples – o círculo, o quadrado, e ângulos retos. O átrio dá acesso ao templo e é desnivelado com degraus, que acentua a horizontalidade da construção.

Num dos extremos tem um cruzeiro em pedra. A fachada da capela tem formas lineares, com pórtico ritmado por colunas. Porta larga, retângular, ladeada por pedra cinzenta. O Templo de planta quadrada e encimada por uma abóbada com zimbório que domina toda a conceção dos espaços. Em lugar de destaque um Cristo na cruz, ladeado pelas imagens de Nossa Senhora do Outeiro e Nossa Senhora de Fátima. Este templo é o edifício mais significativo de Albergaria dos Fusos e é motivo de interesse e curiosidade de inúmeros visitantes.

igreja senhora do outeiro-albergaria XX

Igreja do Senhor da Ladeira

Foi construída em 1720, mas segundo informações pouco fidedignas prestadas por outrem e reproduzidas por Pinho Leal 1886, refere-se às ruínas de «uma igreja antiquíssima, de estilo romano», a qual teria sido a primeira matriz da vila dedicada ao Senhor da Ladeira.
Esteve durante anos abandonada e foi recentemente restaurada, podendo ser visitado o seu interior.
Igreja com empena alteada, cunhada de pilastras grosseiras.
Frontão iluminado por óculo emoldurado, ladeado por acrotérios com pináculos piramidais.
É um Templo de uma só nave, coberta por abóbada de berço, totalmente caiada de branco, tal com no exterior. Não existe vestígios de altares laterais e pretende-se que em breve dê lugar a um museu dedicado à religiosidade da sua população.

igreja senhor da ladeira

Ponte sobre o Barranco da Formiga

Ponte de tijolo, de arco quebrado, de feição medieval, situada a Norte da Ermida de Nossa Senhora do Outeiro.

Ponte Medieval sobre o barranco da formiga

Igreja da Misericórdia

Foi a Confraria da Misericórdia de V. Ruiva fundada em 1571 por D. Álvaro de Melo, Filho de D. Rodrigo de Melo, Conde De Tentúgal. Na igreja, e casas anexas, funcionava a igreja, hospital e sacristia, que albergava peregrinos e doentes. A sua construção decorre entre o ano de fundação da Confraria e ano de 1576. Do templo quinhentista pouco ficou. Sofreu obras de restauro em 1732 que alteraram a sua traça. Esteve abandonada e foi restaurada em 1986, servindo de casa mortuária neste momento.

O interior desprovido de ornamentação tem planta rectangular e capela-mor quadrangular, cobertas por abóbada de berço com penetrações laterais assentes em mísulas.

Na parede lateral norte existe um púlpito de madeira. O Arco do triunfo redondo antecede a capela-mor cujas paredes laterais apresentam pintura a fresco seiscentistas. Do lado do evangelho um Lava-Pés e do lado da Epístola, uma Ceia. Ainda na capela-mor os restos no lambrim de azulejos seiscentistas policromos, atestam a beleza passada deste templo.

igreja da misericordia

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Encarnação ou da Expectação

Classificado como imóvel de Interesse Público, a Igreja Matriz de Vila Ruiva poderá ter sido construída a partir de 1523, por Tomás Fernandes, natural da localidade, e mestre-de-obras de Afonso de Albuquerque, tendo trabalhado nas obras de fortalezas na Índia. O conjunto arquitectónico, em estilo manuelino, possui o seu próprio interesse, mas merecem destaque particular os frescos que decoram o seu interior, pela importância e qualidade que possuem.

Na fachada salienta-se um impressionante torreão cilíndrico, coberto por cúpula entre quatro pináculos cantonais. O portal é em singelo arco quebrado, de ressonâncias góticas.

O interior, de nave única, é coberto por abóbadas estreladas, com fechos e mísulas esculpidas com motivos heráldicos e mascarões manuelinos. Nas paredes encontram-se diversas pinturas murais de campanhas diversas, dos séculos XVI, XVII, e XVIII. O retábulo do altar-mor é em estilo rococó.

igreja matriz Vila Ruiva
igreja matriz frescos

Nossa Senhora da Expectação ou Encarnação (Padroeira de Vila Ruiva)

Na primeira metade do século XIII, consolidaram-se as fronteiras de Portugal, no processo denominado comumente por Reconquista Cristã. A região de Vila Ruiva foi integrada definitivamente, nesse processo, no Reino de Portugal. Na dependência religiosa do bispado de Évora, à recém-criada paróquia de Vila Ruiva foi-lhe atribuído então por orago Nossa Senhora da Expectação.

Esta devoção expressa a expectativa da Virgem Maria pelo nascimento do seu filho, Jesus Cristo, ou seja, Maria está de Esperanças. A esta devoção também lhe é atribuído o título de Senhora do Ó ou da Encarnação. Qualquer destes títulos ilustram a mesma devoção mariana. Maria é a mãe do Deus que se fez homem, assumindo a carne no seu seio virginal.

Na religiosidade popular, a maior parte das festas ocorre durante o período de Verão, após o término dos trabalhos agrícolas sazonais do estio, e vila Ruiva não foge a esta prática, realizando as Festas de Santa Maria. Celebra a sua padroeira paroquial a 15 de Agosto, solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria ao Céu.

Este é um momento em que os habitantes de Vila Ruiva expressam a continuidade das suas tradições seculares religiosas e lúdicas, através da missa, procissão e variedades, facultando o encontro entre os que residem na freguesia, os seus migrantes e forasteiros.

altar - Padroeira igreja matriz

Ermida de S. Sebastião

Templo do século XVI, de uma só nave, de planta rectangular, coberta por abóboda de berço, caiada de branco, apresenta, contudo, no fecho da mesma, grande pintura a fresco, representando a Santíssima Trindade, datada de 1860. Porém, nos últimos anos, a queda da cal tem posto a descoberto uma abóboda coberta de pintura mural a fresco. O arco de tríunfo de volta perfeita é de estuque marmoreado.

A Capela-mor de planta quadrangular tem pinturas de ingénuos raminhos. Na parede do lado esquerdo, aparece, pintada a fresco, uma fresta tingida. É coberta por abóboda artesoada sem apoio de mísulos.

Os artesões, cordames pintados de azul, fecham, ao centro, com a cruz dos Pereiras, pintada a vermelho.

No altar, a servir de retábulo, há um baixo-relevo em pedra, possivelmente quinhentista, representando S. Sebastião.

ermida são sebastiao
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Ermida de Nossa Senhora da Represa – Vila Ruiva

Classificada como Monumento de Interesse Público, a pequena Ermida de Nossa Senhora da Represa, antiga Ermida de São Caetano, deve a sua designação actual à proximidade, a poucos metros, de uma barragem datável da ocupação romana de Vila Ruiva, da qual ficou igualmente uma ponte na localidade, onde passava a via que ligava Évora a Beja. A ermida e a represa, hoje reduzida aos restos de um paredão, levantam-se perto do entroncamento entre as estradas de Cuba, Vila Alva e Vila Ruiva, a cerca de 2 km desta freguesia. Trata-se de um conjunto formado pela igrejinha e por algumas casas próximas, destinadas aos ermitas e aos peregrinos, que a determinada altura acorriam em grande número ao templo.
O edifício encontra-se dentro de um recinto murado, sobre plataforma destinada a vencer o desnível do terreno, com cruzeiro fronteiro.
No interior, de nave única coberta por cruzaria de ogivas, encontram-se muitos vestígios de pinturas murais do século XVII. A abóbada possui decoração de grotescos, com putti e anjos músicos, e ainda medalhões centrais, onde se podem ver símbolos marianos e uma cena representando a Adoração do Menino. O templo integra ainda algum património azulejar, sendo de realçar o frontal do altar-mor, exibindo uma composição com aves e ramagens, de inspiração luso-oriental, do século XVII. Também as paredes da nave são revestidas por painéis de azulejos de tapete, azuis e amarelos, que se repetem na sacristia. Note-se que a existência de frescos e painéis de azulejos policromos do séc. XVII é, de resto, comum a várias igrejas do concelho. A capela-mor é coberta por abóbada de arestas, com chaves e mísulas lavradas. O retábulo é de talha dourada e policromada, setecentista. A ermida de São Caetano foi um importante centro de peregrinação regional, devido à fama dos milagres atribuídos à intercessão do seu padroeiro original, cuja imagem chegou a ser considerada, no século XVIII, como a mais milagrosa de todo o reino. Com o tempo, esta devoção foi progressivamente substituída pelo culto de Nossa Senhora da Represa.

Ermida de Nossa Senhora da Represa
Interior Ermida Nossa Senhora da Represa
frescos igreja senhora da represa
azulejos Ermida senhora da represa
imagem de Nossa Senhora da Represa

Ponte Romana

Classificada como Monumento Nacional, fazia parte da via romana que ligava Évora a Beja, passando sobre a Ribeira de Odivelas.

A tradição local, contudo, atribui a sua construção ao poderoso rei mouro Ismar (Ismario ou Ismael), um dos chefes mouros derrotados por Afonso Henriques na célebre e controversa batalha de Ourique.

Possui 126 arcos intervalados, com comprimento total de 120 m. Existem nela algumas pedras e lápides funerárias romanas, assim como vestígios de reconstruções de origem visigóticas e árabes. Podemos pensar, portanto, que se trata de uma construção romana feita originalmente em granito. Do período visigótico ou árabe seriam as arcarias de tijolo. Obras posteriores teriam, por fim, empregado o xisto.

Ponte Romana

Represa Romana – Vila Ruiva

O paredão que se ergue a poucos metros da Ermida hoje chamada de Nossa Senhora da Represa, é o que resta da pequena barragem que gente romana ergueu ali para recolher as águas pluviais e das nascentes vizinhas, para fins agrícolas. Fazia, possivelmente, parte das estruturas de apoio de uma villa romana situada a NE, na encosta de um outeiro próximo.

Na sua parte visível tem cerca de 80 metros, com a espessura de 1,6 m e 1,8 m de altura máxima. É reforçado pelo lado de fora por grandes contrafortes espaçados desigualmente.

São ainda bem visíveis sete, havendo vestígios de mais dois, na extremidade oriental, onde o paredão se encontra quase soterrado. A poente, o paredão é interrompido pelo barranco, pressupondo-se que continuaria para além deste.

Tradição popular julga-o os alicerces de uma grande Igreja que teria a invocação de Nossa Senhora da Represa, obra nunca concluída pela “preferência” que a imagem da Senhora teria demonstrado pela linda Ermida de S. Caetano erguida a poucos metros. Todas as vezes que levavam a imagem da Senhora para a grande Igreja em construção, ela desaparecia, para sempre ser encontrada na pequena Ermida vizinha.

Outra tradição, contudo, dá como razões para a mudança de Santo padroeiro o facto de uma imagem da virgem ter sido encontrada nas ruínas da represa romana e guardada na Ermida de S. Caetano.

O povo, para falar desta imagem, começou a chamar-lhe N.ª Sr.ª da Represa, de tal modo que, hoje, ninguém mais se recorda que a pequenina igreja teve a invocação de São Caetano.

O paredão que se ergue a poucos metros da ermida é o que resta da pequena barragem que gente romana ergueu ali para recolher as águas pluviais e das nascentes vizinhas, para fins agrícolas, fazia, possivelmente, parte das estruturas de apoio de uma villa romana situada a NE, na encosta de um outeiro próximo.

Na sua parte visível tem cerca de 80 metros, com a espessura de 1,6 m e 1,8 m de altura máxima. É reforçado pelo lado de fora por grandes contrafortes espaçados desigualmente.

São ainda bem visíveis sete, havendo vestígios de mais dois, na extremidade oriental, onde o paredão se encontra quase soterrado. A poente, o paredão é interrompido pelo barranco, pressupondo-se que continuaria para além deste.

Represa Romana Vila Ruiva